
domingo, 30 de outubro de 2011
SOL DE INVERNO
Sabe Deus que eu quis
Contigo ser feliz
Viver ao sol do teu olhar
Mais terno
Morto o teu desejo
Vivo o meu desejo
Primavera em flor
Ao sol de Inverno
Sonhos que sonhei
Onde estão ?
Horas que vivi
Quem as tem ?
De que serve ter coração
E não ter o amor de ninguém ?
Beijos que te dei
Onde estão ?
A quem foste dar
O que é meu ?
Vale mais não ter coração
Do que ter e não ter, como eu !
Eu em troca de nada
Dei tudo na vida
Bandeira vencida
Rasgada no chão
Sou a data esquecida
A coisa perdida
Que vai a leilão
Sonhos que sonhei
Onde estão
Horas que vivi
Quem as tem
De que serve ter coração
E não ter o amor de ninguém ?
Vivo de saudades, amor
A vida perdeu o fulgor
Como o sol de Inverno
Não tenho calor
Poema de Jerónimo Bragança - Música de Nobrega e Sousa
ADEUS (Palavras Gastas)
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio
gastámos os olhos com o sal das lágrimas
gastámos as mão à força de as apertarmos
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava, acreditava,
porque a teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos
no tempo em que o teu corpo era um aquário
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos
É pouco, mas é verdade
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras
quando agora digo: meu amor
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio
gastámos os olhos com o sal das lágrimas
gastámos as mão à força de as apertarmos
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava, acreditava,
porque a teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos
no tempo em que o teu corpo era um aquário
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos
É pouco, mas é verdade
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras
quando agora digo: meu amor
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Já não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo
e já te disse : as palavras estão gastas !
Adeus …
Poema de Eugénio de Andrade - música de Fernando Guerra
sábado, 29 de outubro de 2011
À TUA ESPERA
Primeiro são os teus passos pela escada
a madeira a dizer-me que chegaste
Depois a porta a pouco e pouco aberta
e o silêncio que só prova que já entraste
Pela luz do teu cigarro eu adivinho
que caminho têm as roupas pelo chão
e tu pensas que eu ainda estou dormindo
e eu penso que aprendi já a lição
Então, pé ante pé, braço ante braço
deitas-te a meu lado quase a medo
e atrasas o relógio que há no quarto
para, se eu acordar, pensar ainda é cedo
E cedo sinto e sofro a tua mão
descendo pelo meu corpo devagar
Eu penso que aprendi já a lição
e juro que não vou nunca mais acordar
Pergunto-te a dormir – que horas são ?
Protesto, digo não mas, como sempre
acabo com os teus lábios no meu peito
e os teus dedos brincando, ardendo no meu ventre
E abro-te o meu corpo de mulher
Esqueço a dor, a mágoa, as amarguras.
Cá dentro nasce o sol, já é manhã
e o relógio do quarto ainda bate as duas
Primeiro são os teus passos pela escada …
Poema : Tó Zé Brito – Música : Pedro Brito
Comentário de Simone sobre esta cantiga, no Intimidades (2002) :
« esta só tem um bocadinho de malandrice »
http://youtu.be/JLIO2I3y_Qw
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Quando se fala de Simone ...
José Carlos Ary dos Santos
"E este seu nome de tantos nomes feito
"Vento e silêncio, força angústia e fome
"Amado ou odiado, perfeito ou imperfeito
"O seu nome é Mulher, é Simone !"
Agustina Bessa Luís
"Na voz de Simone as palavras reencontram a vibração e o volume, o contorno a sombra, o desgarrar ou a frescura, que sempre sonha dar-lhes quem ao papel as arremessa."
David Mourão Ferreira
"Simone não veio a este mundo para colher flores em jardins tranquilos e com estátuas, mas sim para acordar e animar de sangue essas mesmas estátuas, dando-lhes a respiração das noites quentes e os gestos de amor."
Francisco Mata
"...Simone reinaugurou a canção portuguesa. Introduziu-lhe modernidade, lucidez e dramatismo. A canção portuguesa era um cartaz de turismo a esfarelar-se num tapume. Simone reinaugurou-a. Estilhaçou-lhe a estrutura rígida ...invadiu-a de sensibilidade..."
Artur Portela Filho
"Ou somos apanhados no seu magnetismo e prestamos homenagem a essa mulher para quem a vida não teve meio termo, ou decididamente não gostamos dela. Uma coisa é certa
- Simone de Oliveira não passa despercebida."
Manuela Gonzaga
"O que sentiria Maugham ao ouvir Simone, que ainda não percorreu meio mundo e já fez da sua alma um Universo...?"
Jorge Ramos e Ramos
"Aquilo que Simone ontem nos trouxe tinha sabor a arte. A criação. A princípio do mundo. Atenção!"
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
"De uma energia sem nome" Márcia Breia
Márcia Breia, outro grande nome do panorama artístico português, outra actriz que eu amo, outra Senhora do país do Eça ... numa carta a Simone escreveu o seguinte :
" Chegaste até mim, como tantos outros, com os pés no chão, a olhar para a frente e com o corpo como que empurrado pelo bafo quente duma energia sem nome.
"Depois, muitas desfolhadas depois, estávamos atrás das paredes de uma imaginação qualquer e rimo-nos, e choramos, e contaste e eu contei, e fomos cúmplices, quando surgiu este sentimento que me faz escrever para ti, recortar a admiração desta folha nossa que é a amizade.
"Mulher indefesa a quem chamam forte, não ficaste a olhar para os troféus merecidos com aquela ideia que a vida nos cansou. E cansou !
"Mas foi vida, foi linha torta, ou não, que se dividiu, em várias rugas, vários sons que são o teu fascínio e a nós nos enternecem ; e tenho a certeza que, qualquer que seja o sítio onde te ouça, estarão lá.
"Também o teu olhar, os teus gestos e a tua força. A tua BELEZA !
"Um enorme beijo da tua fã,
"Márcia Breia"
In "Um país chamado Simone" de Nuno Trinta de Sá
À leitura desta carta imaginei a Simone a disfarçar as lágrimas numa enorme gargalhada ... Gostei de saber que estas duas senhoras do meu país são amigas ♥
Márcia Breia é daquelas mulheres cujo talento é tanto e tão puro que não precisa disfarçar o passar do tempo no seu rosto e no seu corpo, já são poucas as actrizes deste calibre mas ainda restam algumas, felizmente !
A DISCOGRAFIA DE SIMONE
-
Singles e EP
Alvorada - O Burrinho /Agora /Eh Pá do Fado /Vocês Sabem Lá (EP, Alvorada, 1958)- mep60103
- Amor à Portuguesa/Tu/Nos Teus Olhos Vejo o Céu/Tu e Só Tu (EP, Alvorada, 1959)- mep60136
- Fiquei /Quero saber /Amor para dois /Anda aí uma cigana (EP, Alvorada) - mep 60181
- A saudade vem depois /Não há razão / Terra formosa / A noite é bela (EP, Alvorada) - mep 60230
- Despertar /Eu /Chegou a Primavera / Meu estranho amor (EP, Alvorada) - mep 60234
- Sol poente /Foi você / Ariane / Primavera de 1960 - mep 60325
- Tenho saudades / Fim de romance / Abandono / Tarde demais - mep 60408
- A Saudade Vem Depois / Não Há Razão / Terra Formosa / A Noite É Bela (EP, Alvorada, 19*) - mep60230
- Lado a Lado / Canção Das Sombras Perdidas / Desesperadamente / Corpo E Alma (EP, Alvorada) aep60475
- Vocês sabem lá /Amor para dois /Oração para dois /Lado a lado (Alvorada) EP-85-11
- Fim de Estação (1961)
Decca
- Novo Fado da Severa / Deixa Lá / Maria Solidão / Olhos Nos Olhos (EP, Decca, 1964) - 1070
- (EP, Decca, 196*) Se Tens Coração/As Três Lágrimas/Labirinto/Doce Amargura - 1078
- (EP, Decca, 196*) Canção Cigana / Sempre Tu Amor / Quero e Não Quero / Alguém Que Teve Coração - 1084
- Sol de Inverno (EP, Decca, 1965) - Sol de Inverno / De Degrau em Degrau / Silhuetas ao Luar / A Rua do Desencontro - 1088
- Canções de My Fair Lady (EP, Decca, 196*) A Rua Onde Mora Meu Bem / Eu Dançaria Assim / O Rei De Roma / Um Bocadinho Só Bem [António Calvário e Simone] - 1095
- IV Festival da Canção Portuguesa (EP, Decca, 196*) - Nem Tu Nem Vocês / Se Tu Queres Saber Quem Sou / Quando Será / Canção do Outono - 1110
- Praia de Outono (EP, Decca, 196*) - Canção Sem Importância / Reste / Meu Único Amor / Praia de Outono - 1121
- De Saudade Em Saudade (EP, Decca,1965) De Saudade em Saudade/De Mão Dada/Sensatez/Não Fiques Sem Alma -1130
- Música No Coração (EP, Decca, 1965) - Música No Coração / A Noite do Adeus / Tu És Aquele / Onde Vais - 1131
- Estranhos Na Noite (EP, Decca, 1965?) - Estranhos Na Noite / As Coisas De Que Eu Gosto / Dó-ré-mi / Dias de Felicidade - 1169
- Começar de Novo (EP, Decca, 1966) - Começar de Novo / Sem Amor / Já Ouviste O Mar? / O Céu É Bom P´ra Mim - 1184
- A Banda (EP, Decca, 1966) - A Banda / Um Só Dia / Dia Das Rosas / Vem A Meus Braços - 1185
- Marionette (EP, Decca, 1967) - Marionette / Esta Lisboa Que Eu Amo / És A Minha Canção / Balada Da Traição Do Mar - 1204
- Marchas do Estoril (Ep, Decca, 1967) Marcha do estoril 1967/Marcha do estoril 1965/Santo António do Estoril/Marcha da Costa do Sol 1966 - 1206
- A Voz E Os Êxitos (EP, Decca, 1967) - Yesterday/
- A Voz E Os Êxitos (EP, London, 1968) edição Brasileira
- Tu Só Tu (EP, Decca) - Tu Só Tu (S+P)/ Gatinha / Nem Sol Nem Lua / Anouschka (MP) - 1211 [Simone & Marco Paulo]
- Chorar E Cantar (EP, Decca)Renascendo/Canto de Partir/Chorar e Cantar/Tema para Sonata - 1212
- Doutor Doolitle (EP, Decca) Falar Com Os Animais/Algo Em Teu Sorriso/Encruzinhada/Quando Vejo Em Teus Olhos - 1225
- Grande Prémio TV (EP, Decca, 1968) Canção Ao Meu Piano Velho / Vento / Não Vou Contigo / O Calendário / Dentro de Outro Mundo - 1229
- (EP, Decca, 196*) Viva O Amor / Nos Meus Braços Outra Vez / Quando Me Enamoro / Para Cada Um Sua Canção - 1250
- (EP, Decca, 196*) Cantiga de Amor / Amanhã Serás O Sol / Não Te Peço Palavras - 1251
- (EP, Decca, 196*) Aqueles Dias Felizes / Pingos de Chuva / Fúria de Viver - 1270
- Desfolhada Portuguesa (Decca, 1969) Desfolhada Portuguesa / Cinco Quadras Cinco Pedras / Avé Maria do Povo - 1276
- Glória, Glória Aleluia (EP, Decca, 1972) Glória, Glória Aleluia/Hino do Amor/Retrospectiva
- Pingos de Chuva/Fúria de Viver (Single) SPN 142
- Apenas O Meu Povo / Introito (Single, Decca, 1973) SPN 143
- Mulher Presente (Single, Decca, 1975) SPN 191 G [O Trabalho/Mulher Presente/É Tarde Meu Amor]
Alvorada/Rádio Triunfo
- Não É Verdade/Maria Saudade (Single, Alvorada,) NS-97140
- Sempre Que Tu Vens Primavera / Mesa Sem Ninguém Cama Com Tão Pouco (Single, Alvorada, 1979)NS-97148
- Sete Letras / Tango Ribeirinho (Single, Rádio Triunfo, 1980)
- Amor Sem Depois / Cansaço da Mesma Viagem (Single, Alvorada, 1980) AlV-97-154
Polygram
- À Tua Espera/Te Espero (Single, Polygram, 1980) Philips 6031174
Alvorada/Rádio Triunfo
- Eu Quero e Não Quero/Salva de Palmas (Single, Rádio Triunfo, 1983) RT 51-60
- Sempre Que Lisboa Canta (EP, Alvorada) Mep 60135
- Nasci Contra O Vento (EP, Alvorada) Mep 60284
- 1º Concurso da Canção: Figueira - Simone - Alvorada
- (EP, Alvorada, 1959) - MEP 60135 - Sempre Que Lisboa Canta - Simone
- III Festival da Canção - (1961) Ontem e Hoje / Dilema / Bom Dia Lisboa / Porque Voltei—Simone, Madalena Iglésias, Alice Amaro, José Manuel Mendes - Alvorada aep60429
- III Festival da Canção - (1961) Oração Para Dois - Alvorada aep60430
Álbuns
- Recordando (LP, VC, 1975)
- Simone (LP, Alvorada, 1978)
- Antologia da Música Portuguesa (LP, EMI, 1981)
- Ao Vivo No Hotel Altis (LP, Alvorada, 1981)
- Simone (LP, Polygram, 1981)
- Simone, Mulher, Guitarra (LP, Polygram, 1984)
- O Melhor de Simone (LP, EMI)
- Algumas Canções do Meu Caminho (2CD, BMG, 1992)
- Simone Me Confesso (2CD, 1997)
- Intimidades (CD, Vidisco, 2004)
- Perfil (2CD, iPlay/VC, 2008)
DVD Musicais
- Intimidades (DVD, Vidisco, 2004)
SIMONE & O CINEMA
Simone de Oliveira participou em pelo menos seis filmes, mas num só como voz:
- Canção da saudade (1964)
- Operação diamante (1967)
- Cântico final (1976)
- A estrangeira (1983)
- Capuchinho Vermelho - A verdadeira História (2006) (Voz da avó)
- Julgamento (2007) – Esposa Mendes Oliveira
terça-feira, 25 de outubro de 2011
SIMONE & A TV
Simone de Oliveira tem participação em várias telenovelas e em séries televisivas, nomeadamente nas seguintes:
E ainda :
1964 – Os Três Saloios
1979 – O Espelho dos Acácios
1982 – Gente Fina é Outra Coisa
1988 – Histórias que o Diabo Gosta
1988 – Toma Lá Revista
1988 – Passerelle – Madame Solange
1989 – A Menina Alice e o Inspector
1990 – Nem o Pai Morre nem a Gente Almoça
1992 – Grande Noite
1994 / 1995 - Maldita Cocaina – Berta
1994 / 1995 – Cabaret
1999 – Docas 2
2000 – Conde de Abranhos – Mrs. Gama Torres
2000 / 2001 – Querido Professor
2005 – Segredo – Dona Elisa
2006 / 2007 – Tu e Eu – Raquel Silva Reis
Foto 1 - A D. Graça Monforte de "Remédio Santo"
Foto 2 - A Maria dos Prazeres de "Senhora das Águas"
- Roseira brava 1995 (RTP1) - Amélia Falcão
- Vidas de sal 1996 (RTP1) - Madalena Fragoso
- Filhos do Vento 1997 (RTP1) - Paula Vieira
- Senhora das águas 2001 (RTP1) - Maria dos Prazeres Videira dos Santos
- Morangos com Açúcar 2006 (TVI) - Maria Antónia Mergulhão
- Vila Faia 2008 (RTP1) - Ifigénia Marques Vila
- Liberdade 21 – 2009 –Albertina
- Remédio Santo 2011 (TVI) – Graça Monforte
E ainda :
1964 – Os Três Saloios
1979 – O Espelho dos Acácios
1982 – Gente Fina é Outra Coisa
1988 – Histórias que o Diabo Gosta
1988 – Toma Lá Revista
1988 – Passerelle – Madame Solange
1989 – A Menina Alice e o Inspector
1990 – Nem o Pai Morre nem a Gente Almoça
1992 – Grande Noite
1994 / 1995 - Maldita Cocaina – Berta
1994 / 1995 – Cabaret
1999 – Docas 2
2000 – Conde de Abranhos – Mrs. Gama Torres
2000 / 2001 – Querido Professor
2005 – Segredo – Dona Elisa
2006 / 2007 – Tu e Eu – Raquel Silva Reis
2007 - A Escritora Italiana – Arminda Badalo
2010 – Temporária – A Actriz
2011 – Velhos Amigos
Foto 1 - A D. Graça Monforte de "Remédio Santo"
Foto 2 - A Maria dos Prazeres de "Senhora das Águas"
SIMONE ACTRIZ
Eis um resumo da carreira de Simone de Oliveira a nível do teatro, Simone estreou-se nos anos 60 ainda como atracção de revista, posteriormente no inicio dos anos 70 deu início, na peça "O Contrato" (dirigida por Ribeirinho), ao desenvolvimento das suas características de actriz, tendo na peça A Tragédia da Rua das Flores, atingido um enorme sucesso de público e de crítica, revelando as suas potencialidades de actriz dramática.
Participou no Teatro Nacional D. Maria II na peça "Passa por mim no Rossio" e no Teatro Politeama em Maldita Cocaína. Já nos primeiros anos do século XXI encarnou as personagens de Marlene Dietrich e Alma Mahler-Werfel (2003, Convento dos Inglesinhos, Lisboa).
Posteriormente, fez uma digressão com o seu espectáculo "Conversas de Camarim", espectáculo de homenagem a poetas e a gente do teatro na companhia de Vítor de Sousa e Nuno Feist.
Em 2010 esteve em palco no Teatro Nacional D. Maria II com a peça “Jardim Suspenso”, de 29 de Abril a 30 de Maio. Seguiu depois para o Brasil onde a peça esteve em palco algumas semanas, com Simone de Oliveira, Carla Chambel, Carlos Oliveira, Carmén Santos, Luciana Ribeiro e Manuel Coelho.
Em homenagem às cantoras da década de 1960 (Madalena Iglésias e Simone de Oliveira), a sua personalidade foi retratada na peça musical What happened to Madalena Iglésias" de Filipe La Féria.
Participou no Teatro Nacional D. Maria II na peça "Passa por mim no Rossio" e no Teatro Politeama em Maldita Cocaína. Já nos primeiros anos do século XXI encarnou as personagens de Marlene Dietrich e Alma Mahler-Werfel (2003, Convento dos Inglesinhos, Lisboa).
Posteriormente, fez uma digressão com o seu espectáculo "Conversas de Camarim", espectáculo de homenagem a poetas e a gente do teatro na companhia de Vítor de Sousa e Nuno Feist.
Em 2010 esteve em palco no Teatro Nacional D. Maria II com a peça “Jardim Suspenso”, de 29 de Abril a 30 de Maio. Seguiu depois para o Brasil onde a peça esteve em palco algumas semanas, com Simone de Oliveira, Carla Chambel, Carlos Oliveira, Carmén Santos, Luciana Ribeiro e Manuel Coelho.
Em homenagem às cantoras da década de 1960 (Madalena Iglésias e Simone de Oliveira), a sua personalidade foi retratada na peça musical What happened to Madalena Iglésias" de Filipe La Féria.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Simone de Oliveira recebe Globo de Ouro de Mérito e Excelência
A 30 de Maio de 2011, a cantora e actriz portuguesa Simone de Oliveira foi premiada com o Globo de Ouro de Mérito e Excelência, na 16ª edição da gala dos Globos de Ouro, promovida pela SIC e pela Caras.
«Chegar aqui foi porque a vida me deixou. Agradeço aos poetas, músicos, iluminadores, ao meu querido Parque Mayer e a todas as pessoas que me deixaram chegar aqui. A todos os velhos artistas com quem trabalhei e aos mais novos com quem tenho trabalhado. Com todos aprendi. O meu obrigado e até sempre», disse a artista, emocionada.
«Chegar aqui foi porque a vida me deixou. Agradeço aos poetas, músicos, iluminadores, ao meu querido Parque Mayer e a todas as pessoas que me deixaram chegar aqui. A todos os velhos artistas com quem trabalhei e aos mais novos com quem tenho trabalhado. Com todos aprendi. O meu obrigado e até sempre», disse a artista, emocionada.
Parabéns Simone, Simone de Portugal !
Clique em baixo para ver :
Entrega do prémio
ADEUS, NÃO AFASTES OS TEUS OLHOS DOS MEUS
Meu amor na vida, sem vida eu fico aqui
Desde que à partida, meu Zé, fiquei sem ti
Bem peço aos retratos : socorro
São mudos, ingratos, vem tu senão morro
Nem mesmo a saudade me traz consolação
Quero uma verdade não quero uma ilusão
Na alma ainda me dói, meiga a tua voz
Quando o barco foi tão mau p’ra nós
Até quando ao longe a bruma a pairar
Se consuma entre as ondas do mar
E os céus
Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Dá-lhes carinhos que partem ceguinhos
de amor pelos teus
Sei que tu existes e sei também meu Zé
Que há palavras tristes e que uma delas é
A que me tortura, a distância
Nem sei se há mais dura na minha ignorância
Há palavras belas mas quase as esqueci
São, noivado, estrelas, altar e outras pra aí
Quando as ouvirei todas, oh Jesus ?
Hoje apenas sei estas sem luz
Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Até quando ao longe a bruma a pairar
Se consuma entre as ondas do mar
E os céus
Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Dá-lhes carinhos que partem ceguinhos
de amor pelos teus
Adeus, quem sabe alma querida
Adeus, se é por todfa a vida ?
Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Dá-lhes carinhos, que partem ceguinhos
de amor pelos teus
Dá-lhes carinhos, que partem ceguinhos
de amor pelos teus
Poema de José Galhardo - Música de Raul Ferrão
http://youtu.be/c6A1HN7ldEw
APENAS O MEU POVO
Quem disse que morreu a madrugada?
Quem disse que esta noite foi perdida?
Quem pôs na minha alma magoada
As palavras mais tristes que há na vida?
Quem me disse saudade em vez de amor?
Quem me disse tristeza em vez de esperança?
Quem me lançou a pedra do terror
Matando o cantador e a criança?
Quem fez da minha espera desespero?
Quem fez da minha sede temperança?
Quem me dando tudo quanto eu quero
Da minha tempestade fez bonança?
Quem amainou os ventos do meu corpo
E saciou o mar da minha fome?
Quem foi que me venceu depois de morta
E soletrou as letras do meu nome?
Quem foi foi quem fez serva sem servir?
Quem foi que me fez escrava sem querer?
Quem foi que disse que eu podia ir
Tão longe quanto nós podemos ser?
Apenas quem me viu calada e triste
E despertou em mim um mundo novo
Apenas a esperança que resiste
Apenas o meu sangue, apenas o meu povo
Apenas a esperança que resiste
Apenas o meu sangue, apenas o meu povo
Poema de José Carlos Ary dos Santos - Música de Fernando Tordo
http://youtu.be/AydcrNfC3TM
Quem disse que esta noite foi perdida?
Quem pôs na minha alma magoada
As palavras mais tristes que há na vida?
Quem me disse saudade em vez de amor?
Quem me disse tristeza em vez de esperança?
Quem me lançou a pedra do terror
Matando o cantador e a criança?
Quem fez da minha espera desespero?
Quem fez da minha sede temperança?
Quem me dando tudo quanto eu quero
Da minha tempestade fez bonança?
Quem amainou os ventos do meu corpo
E saciou o mar da minha fome?
Quem foi que me venceu depois de morta
E soletrou as letras do meu nome?
Quem foi foi quem fez serva sem servir?
Quem foi que me fez escrava sem querer?
Quem foi que disse que eu podia ir
Tão longe quanto nós podemos ser?
Apenas quem me viu calada e triste
E despertou em mim um mundo novo
Apenas a esperança que resiste
Apenas o meu sangue, apenas o meu povo
Apenas a esperança que resiste
Apenas o meu sangue, apenas o meu povo
Poema de José Carlos Ary dos Santos - Música de Fernando Tordo
http://youtu.be/AydcrNfC3TM
terça-feira, 18 de outubro de 2011
MARIA SOLIDÃO
Quem me fez mal, afinal
foi a a vida
Eu quis viver o prazer
sem medida
Não pensei nada mais
quis viver e perdi
o coração
e ganhei solidão !
Tens ao dispor o amor
que foi nosso
Ao menos tu sê feliz
eu não posso
Eu sei que já vou
a descer ao porão
sem amor, sem ninguém
sem perdão !
Vou por aí
sem saber o caminho
Já me esqueci
do que é ter um carinho
Quem me vê nem supõe
ser assim, ser tão só
Faz-me doer
ter amor e não ter ...
Mas tens ao dispor o amor
que foi nosso
Ao menos tu sê feliz
eu não posso
Eu sei que já vou
a descer ao porão
sem amor, sem ninguém
sem perdão !
Sou infeliz ou feliz
já não sei bem
Já não sou eu sou alguém
que se perdeu !
Sou um pregão
a gritar por aí
a saudade, ciúme, remorso, pecado
traição
Vem tu também ao leilão
Quem quer comprar solidão ?
Poema de Jerónimo Bragança - Música de Nóbrega e Sousa
CRUCIFICADA
Simone gravou um disco de fados, um deles é um poema de Florbela Espanca que tem por título "Crucificada", a música é do tradicional Fado Varela, de Renato Varela. Amo !
Amiga, noiva, irmã, o que quiseres
Por ti todos os céus terão estrelas
Por teu amor, mendiga, hei-de merecê-las
Ao beijar a esmola que me deres
Podes até amar outras mulheres
Hei-de compor, sonhar palavras belas
Lindos versos de amor só para elas
Para em lânguidas noites lhes dizeres
Crucificada em mim, sobre os meus braços
Hei-de beijar a sombra dos teus passos
Hei-de beijar a sombra dos teus passos
P'ra não serem beijados por ninguém
E depois ... Ah depois de dores tamanhas
Nascerás outra vez de outras entranhas
Nascerás outra vez de outras entranhas
Tornarás a nascer de uma outra mãe !
Poema de Florbela Espanca - Música de Renato Varela
http://youtu.be/UiRrtE_36w8
Amiga, noiva, irmã, o que quiseres
Por ti todos os céus terão estrelas
Por teu amor, mendiga, hei-de merecê-las
Ao beijar a esmola que me deres
Podes até amar outras mulheres
Hei-de compor, sonhar palavras belas
Lindos versos de amor só para elas
Para em lânguidas noites lhes dizeres
Crucificada em mim, sobre os meus braços
Hei-de beijar a sombra dos teus passos
Hei-de beijar a sombra dos teus passos
P'ra não serem beijados por ninguém
E depois ... Ah depois de dores tamanhas
Nascerás outra vez de outras entranhas
Nascerás outra vez de outras entranhas
Tornarás a nascer de uma outra mãe !
Poema de Florbela Espanca - Música de Renato Varela
http://youtu.be/UiRrtE_36w8
domingo, 16 de outubro de 2011
O PAÍS DO EÇA
A relíquia que eu trago no meu peito
Herdada duma tia Patrocínio
É o país-paris onde me deito
Sem culpa mas também sem raciocínio.
O conselheiro Acácio bem me disse
Nos tempos em que eu era pequenina :
– «O Padre Amaro é mau. Mas que chatice !
Não pode um padre amar uma menina ?...»
E o meu primo Basílio brasileiro
Que foi o pai das minhas sensações!...
E o Mandarim morrendo a tempo inteiro
Num país de rabichos e aldrabões
Carlos da Maia meu primeiro amor
Primeiro livro meu primeiro beijo
Os Maias da cidade não dão flor
E as maias é no campo que eu as vejo.
Ramires d’uma casa ilustre e vasta
Pindéricos raminhos da nobreza
A terra portuguesa ainda não basta
Para as courelas todas da avareza !
E o conde de Abranhos parlamento
E a Vera Gouvarinho a baronesa
Mudam-se os tempos mas não muda o vento
é sempre rococó à portuguesa !
Há cem anos que eu canto esta canção
sem cabeça porém com coração.
Porque o País do Eça de Queiroz
ainda é … o País de todos nós !...
Herdada duma tia Patrocínio
É o país-paris onde me deito
Sem culpa mas também sem raciocínio.
O conselheiro Acácio bem me disse
Nos tempos em que eu era pequenina :
– «O Padre Amaro é mau. Mas que chatice !
Não pode um padre amar uma menina ?...»
E o meu primo Basílio brasileiro
Que foi o pai das minhas sensações!...
E o Mandarim morrendo a tempo inteiro
Num país de rabichos e aldrabões
Carlos da Maia meu primeiro amor
Primeiro livro meu primeiro beijo
Os Maias da cidade não dão flor
E as maias é no campo que eu as vejo.
Ramires d’uma casa ilustre e vasta
Pindéricos raminhos da nobreza
A terra portuguesa ainda não basta
Para as courelas todas da avareza !
E o conde de Abranhos parlamento
E a Vera Gouvarinho a baronesa
Mudam-se os tempos mas não muda o vento
é sempre rococó à portuguesa !
Há cem anos que eu canto esta canção
sem cabeça porém com coração.
Porque o País do Eça de Queiroz
ainda é … o País de todos nós !...
http://youtu.be/9uPIX6-6I1o
SETE LETRAS
Esta palavra saudade
Sete letras de ternura
Sete letras de ansiedade
Sete letras de ansiedade
E outras tantas de aventura
Esta palavra saudade
A mais bela e a mais pura
Sete letras de verdade
Sete letras de verdade
E outras tantas de loucura
Sete pedras, sete cardos, sete facas e punhais
Sete beijos que são nardos, sete pecados mortais
Esta palavra saudade dói no corpo devagar
Quando a gente se levanta, fica na cama a chorar
Esta palavra saudade
Sete pedras, sete cardos, sete facas e punhais
Sete beijos que são nardos, sete pecados mortais
Esta palavra saudade dói no corpo devagar
Quando a gente se levanta, fica na cama a chorar
Esta palavra saudade
Sabe a sumo de limão
Tem o travo da amargura
Tem o travo da amargura
Que nasceu do coração
Ai palavra amarga e doce
Estrangulada na garganta
Palavra como se fosse
Palavra como se fosse
O silêncio que se canta
Meu cavalo imenso e louco a galopar na distância
Entre o muito e entre o pouco que me afasta da infância
Esta palavra saudade é a mais prenha de pranto
Como um filho que nascesse por termos sofrido tanto
Por termos sofrido tanto
Meu cavalo imenso e louco a galopar na distância
Entre o muito e entre o pouco que me afasta da infância
Esta palavra saudade é a mais prenha de pranto
Como um filho que nascesse por termos sofrido tanto
Por termos sofrido tanto
É que a saudade está viva
São sete letras de encanto
São sete letras de encanto
Sete letras por enquanto
Enquanto a gente for viva
Enquanto a gente for viva
Esta palavra saudade
Sabe ao gosto das amoras
Cada vez que tu não vens
Cada vez que tu demoras
Ai palavra amarga e doce
Debruçada na idade
Palavra como se fosse
Um resto de mocidade
Marcada por sete letras, a ferro e a fogo no tempo
Ai ! Palavra dos poetas que a disparam contra o vento
Esta palavra saudade dói no corpo devagar
Quando a gente se levanta, fica na cama a chorar
Quando a gente se levanta, fica na cama a chorar
Por termos sofrido tanto
É que a saudade está viva
São sete letras de encanto
São sete letras de encanto
Sete letras por enquanto
Enquanto a gente for viva
Enquanto a gente for viva
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
SIMONE DE PORTUGAL !
Na minha família a paixão por Simone é "genética" ! Os meus pais eram fiéis admiradores da grande Senhora, a minha mãe admirava-lhe a genica de mulher senhora do seu destino e o meu pai dizia que se não se tivesse casado com a sua Marili ter-se-ia casado com a Simone. Ambos lhe admiravam a voz e o talento. Por isso eu cresci a ouvir e a ver a Simone na televisão ... sabia de cor o seu repertório e quando me perguntavam o que é que eu queria ser quando fosse crescida eu respondia "quando eu for grande quero ser como a Simone" !
Mas os anos passaram, eu nunca fui como a Simone mas continuei a gostar dela ... A minha querida Simone já vai com 52 anos de carreira e 73 anos de idade e continua esplendorosa !
A vida foi-lhe muitas vezes madrasta mas ela nasceu lutadora, a tal ponto que conseguiu fazer das suas rugas um adorno ! Nesta altura em que a maioria das mulheres recusa a todo o custo envelhecer, recorrendo às plásticas e aos "botox's", a Simone deixa-se fotografar sem maquilhagem mostrando assim no seu rosto as suas lindas rugas ... quais linhas de vida espelhadas em rosto de verdade !
Cantora, actriz, locutora, escritora ... tudo fez em certas alturas da sua vida para criar os seus dois filhos e ganhar o indispensável sustento. Venceu múltiplas batalhas e sempre acreditou que valia a pena viver. Podia ter deixado Portugal mas ... não ! E ainda bem.
Simone de Oliveira é uma mulher do meu país, do país do Eça ... Simone é "Esta Lisboa que eu Amo", é "Apenas o meu Povo" ... Simone sempre "Lado a Lado" ou de "Olhos nos Olhos" com "O Amigo que eu Canto" ... Simone "No Teu Poema" eu me arrepio e com "Sete Letras" eu choro ! Simone do "Sol de Inverno" mas sempre com "Música no Coração" ... ai são tantas "As coisas que eu gosto" ! Esse "Tango Ribeirinho" que atravessa a rua para ver "A Banda" passar ... Um "Canção de Madrugar" e depois a "Desfolhada", um "Auto-Retrato" que me faz tremer ... nunca lhe direi "Adeus", nada de "palavras gastas" pois com Simone é sempre um "Começar de Novo" !
Bem haja Simone ... SIMONE DE PORTUGAL !
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Simone de Oliveira
AUTO-RETRATO
Nasci embalada no canto crescido da gente miúda
Cresci aquecida pelo sol de inverno que o vento não muda
Cantei desfolhadas, cantei sete letras, tangos ribeirinhos
Cantei os poetas, gritei os poemas, que são meus caminhos
Maria saudade, mulher solidão, tem sido o meu canto
Ou não é verdade, é mais realidade que um grito d'espanto
Mudei o cantar e a forma de amar aqui onde estou
Mudei os destinos, virei os meus hinos, mas sei onde vou
Sou mulher adulta, cresci no meu canto
Sou mulher e mãe
Meu nome é verdade, venci a saudade
Nasci de ninguém
Sou mulher adulta das tuas raízes
Espalhadas p'lo mundo
Dei filhos aqui num hino profundo
Que é um canto de mim
Cresci aquecida pelo sol de inverno que o vento não muda
Cantei desfolhadas, cantei sete letras, tangos ribeirinhos
Cantei os poetas, gritei os poemas, que são meus caminhos
Maria saudade, mulher solidão, tem sido o meu canto
Ou não é verdade, é mais realidade que um grito d'espanto
Mudei o cantar e a forma de amar aqui onde estou
Mudei os destinos, virei os meus hinos, mas sei onde vou
Sou mulher adulta, cresci no meu canto
Sou mulher e mãe
Meu nome é verdade, venci a saudade
Nasci de ninguém
Sou mulher adulta das tuas raízes
Espalhadas p'lo mundo
Dei filhos aqui num hino profundo
Que é um canto de mim
O "Dramas" e a "Cantigas"
Simone de Oliveira foi casada com o actor Varela Silva. O pedido de casamento contado por Simone :
" Essa história é muito bonita… Já vivíamos juntos há 17 anos. Certo dia fomos almoçar à Costa da Caparica, namoriscámos muito por aquelas bandas, e ele estava ansioso. Notava-se que queria contar-me qualquer coisa, mas não sabia como nem com que palavras, até que lhe perguntei: «Qual é o drama desta vez?». Os amigos chamavam-lhe O Dramas, embora fosse um homem absolutamente extraordinário, era muito taciturno, sério e fechado. A mim chamava-me Cantigas… Mas adiante..., pedi-lhe que me contasse o que se passava e foi, então, que ele começou: «Tu casas comigo, não casas? Já tratei de todos os papéis na conservatória, mas a senhora diz que é preciso a tua assinatura». Eu não pensava nisso, nem tão pouco era minha vontade. Mas, perante aquela declaração, só me ocorreu responder: «Sim».
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
AMÁLIA & SIMONE
"Amália, quis Deus que fosso o meu nome !"
"O meu nome é Simone e canto cantigas !"
Duas Mulheres com M maiúsculo, duas Vozes, dois Talentos ... ambas nascidas em Lisboa ... Quis Deus que estas duas Senhoras nascessem em Portugal !
O AMIGO QUE EU CANTO
Desde quando nasci
Que o conheço e lhe quero
Como a um irmão meu
Como ao pai que perdi
Como tudo o que espero
É um homem que tem o condão da doçura
No sorriso de água, nos olhos cansados
É metade alegria, é metade ternura
Nas palavras cansadas, nos gestos dançados
Nos silêncios magoados
Tem um rosto moreno
Que o Inverno marcou
E apesar de ser forte
É um homem pequeno
Mas maior do que eu sou !
Tem defeitos, é certo, como todos nós
Sonha às vezes demais
Fala às vezes no ar
Mas quando de dentro dele a alma ganha a voz
É tal como se fosse o som do nosso mar
Se pudesse falar ...
Foi capaz de mentir
Foi capaz de calar
É capaz de chorar e de rir
Tem um quê de fadista
Tem um quê de gaivota
E a mania que há-de ser artista
Quando vê que precisa
É capaz de roubar
Mas também sabe dar a camisa
Foi capaz de sofrer
Foi capaz de calar
É capaz de ganhar
E perder !
É um amigo que às vezes me ofende
Mas que eu sei que me escuta
Que eu sei que me ouve
E também me compreende
Quantas vezes lhe digo que tenha juízo
Que a mania dos copos só lhe faz mal
Que a preguiça não paga, que o trabalho é preciso
Ele encolhe-me os ombros num desprezo total !
Este tipo é assim ...
Foi capaz de mentir
Foi capaz de calar
É capaz de chorar e de rir
Tem um quê de fadista
Tem um quê de gaivota
E a mania que há-de ser artista
Quando vê que precisa
É capaz de roubar
Mas também sabe dar a camisa.
Qual o nome, afinal
Deste amigo que eu canto ?
Pois é claro que é
Portugal !
(Poema de José Carlos Ary dos Santos
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