quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

DE DEGRAU EM DEGRAU



Que mais te posso dar ?
Que mais queres tu de mim ?
De mim  nada mais há
já tudo é teu…

Saudades são de ti
ciúmes também são
e até para eu chorar me dás razão

Ternura amor e ódio
tudo é teu
Desprezo, esperança
tudo é teu

E os meus sonhos mortos pelo teu desdém
Ai de mim são teus também, são teus também

Que mais te posso dar ?
Que mais queres tu de mim ?
Eu só tenho de ti mentiras tuas
Se tu ainda queres mais
os restos aí vão
só tenho para te dar o meu perdão !

Canção de Nobrega e Sousa e Jerónimo Bragança. Arranjos e acompanhamento orquestral de Thilo Krassmann.

http://youtu.be/fz4C7bAx81E 

 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

CANÇÃO DE MADRUGAR



De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei

Sei dos teus olhos acesos na noite
Sinais de bem despertar
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar
Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo há-de acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer

Irei beber de ti
O vinho que pisei
O fel do que sofri
E dei

Dei do meu corpo um chicote de força
Rasei meus olhos com água
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de mágoa
Dei do meu sonho uma corda de insónias
Cravei meus braços com setas
Descobri rosas, alarguei cidades
E construí poetas

E nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Amor que não logrei
Mas quis

Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo há-de acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer
Então
Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos
Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas
Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas
Nem forças, nem cardos, nem dardos, nem guerras
Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas
Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas
Nem forças, nem cardos, nem dardos, nem guerras
Nem paz !

Poema de José Carlos Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes


Já ouvi muitas "canções de madrugar", nenhuma tem a força que Simone lhe deu !

terça-feira, 22 de novembro de 2011

FÚRIA DE VIVER



Fúria de viver
Pecados meus
De mais um dia
Com gosto de nada
Nesta ansiedade de refazer
E de vencer
As ilusões que eu sei
Que só me negam a realidade
E por castigo
São sempre verdade

Quero viver
E já nem sei
Se por castigo
Por bem ou mal
O amor
Que sempre foi negado tem
O sabor raro que ninguém
O levará de mim

Fúria de viver
Sentido vão
Desta vontade que não
Finda mais, palavras falsas
Cravo de fel, ingratidão
O meu rosário negro que é a razão
deste sentir, alma em farrapo
dor e solidão

Fúria de viver …

De José Drumond

Acredito que tenha sido um imensa fúria de viver que levou Simone de Oliveira até hoje e até muitos amanhãs !

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

ESTA LISBOA QUE EU AMO

Nesta Lisboa que eu amo
Sinto o mar em cada esquina
Esta Lisboa tem ondas
No andar de uma varina
Cidade tão antiga, cidade amiga
Modesta e bela
Varia com as marés
E tem o Tejo a seus pés
A chorar de amor por ela

Cidade de mil cantigas
Nasce a canção como a flor
Na boca das raparigas
Andam cantigas d'amor
Minha Lisboa que te posso dar?
Dai-lhe mais cantigas para ela cantar
Minha Lisboa que te hei-de oferecer?
Dai-lhe mais cantigas para ela aprender

Nesta Lisboa que eu amo
Sinto o mar a cada esquina
Esta Lisboa tem ondas
No andar de uma varina
Cidade tão antiga, cidade amiga
Modesta e bela
Varia com as marés
E tem o Tejo a seus pés
A chorar de amor por ela 


Poema de Fernando Carvalho e Aníbal Nazaré - música de Frederico Valério


http://youtu.be/No_B6DAPXBU

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

NO TEU POEMA



No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira em céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta uma varanda para o Mundo.

Existe a noite
O riso e a voz perfeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva, a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os passos inquietos de quem falha
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo mais que ainda me escapa
E um verso em branco à espera do futuro

Poema e música de José Luís Tinoco

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Simone de Oliveira distinguida pela FILAIE

05/11/2011
Pedro Wallenstein, Rui Vieira Nery, Fernando Alvim, Simone de Oliveira e Luís Francisco Rebelo são os novos membros Fórum Ibero Latino-Americano das Artes (FILAIE). A cerimónia decorreu na Casa do Artista, em Lisboa. Candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade não foi esquecida.

Distinguir quem durante toda a carreira sempre defendeu as artes e a promoção da cultura.

Foi com este propósito que Simone de Oliveira, Luís Francisco Rebelo, Fernando Alvim e Rui Vieira Nery foram distinguidos como membros honorários da Federação Ibero latino-americano das artes (FILAIE), numa cerimónia que decorreu no Teatro Armando Cortez, na Casa do Artista, em Lisboa.

Para o presidente da FILAIE, Maestro Luís Cobos, esta distinção pretende reconhecer quem sempre lutou pela cultura.

«O Fórum foi criado com o intuito de potenciar uma rede internacional de pessoas que trabalham em prol da cultura, arte, dos direitos de liberdade», disse, acrescentando:

- Pretendemos reconhecer todos os artistas ibero-americanos que se distinguiram pelas suas qualidades artísticas, humanas e na luta pelos direitos da cultura.

Parceira da FILAIE, a Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas (GDA) pela voz do seu presidente, Pedro Wallenstein, salientou que é fulcral preservar o património cultural e artístico nacional.

«Quisemos ligar as homenagens à questão da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade e, por outro lado, dentro do universo de artistas que representamos, homenagear pessoas que foram muito importantes no passado e que ainda têm um património que todos nós vamos herdar no futuro, assinalando carreiras muito significativas», disse o responsável que também foi distinguido.

 Simone de Oliveira, cantora e actriz de reconhecido valor, não escondeu a sua satisfação por mais um reconhecimento ao seu extenso percurso no mundo das artes.

«Ainda bem que sou homenageada enquanto estou viva e percebo os porquês. Estes porquês passam por lutado pela cultura e pelo civismo», afirmou. «Qualquer pessoa que tem a minha profissão tenta, com certeza, lutar pela cultura, pela verdade, igualdade e pelas coisas que este País precisa. Acho que fiz isso ao longo da minha vida e se entenderam que por causa de todas essas razões mereço um prémio...»,
realçou.

Fernando Alvim, músico de excelência e guitarrista de reconhecido valor,
que colaborou com nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, José Carlos Ary dos Santos, José Afonso, entre outros, considerou esta distinção um estímulo.

«Sinto-me muito honrado e com novo ânimo para fazer mais coisas como compor. É um estímulo», garantiu e acrescentou: «a candidatura do Fado vai ser aprovada, de certeza. Vamos ter o Fado como Património Imaterial da Humanidade. A escolha pode significar um incremento muito grande do Fado a nível mundial e ter mais expansão e reconhecimento.

 ...


 No final das distinções, que contou com a presença do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, foi divulgada uma mensagem de apoio da FILAIE à candidatura portuguesa do Fado a Património Imaterial da Humanidade, promovida pela UNESCO.



O que é a FILAIE?

Criado em 1998, a FILAIE - Federação Ibero Latino-Americano de Artistas, Intérpretes e Executantes – é uma entidade que pretende distinguir artistas que têm prestado, ao longo da carreira, um importante papel na defesa da cultura, das artes, do direito dos artistas, da propriedade intelectual e da promoção e desenvolvimento das actividades artísticas e culturais.


Carlos do Carmos e Carmen Dolores foram alguns das personalidades portuguesas que já forma distinguidas.

domingo, 6 de novembro de 2011

NÃO ME VÁS DEIXAR

Versão portuguesa de "Ne me quitte pas" de Jacques Brel, magistralmente interpretada por Simone de Oliveira, numa perfeita adaptação de David Mourão Ferreira.

Não me vás deixar
importa esquecer
trata de esquecer
o que há-de passar
Esquecer o tempo
dos mal-entendidos
e o tempo perdido
em busca do vento
Esquecer de vez
o que sem parar
nos tenta matar
com tantos porquês
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Por mim te darei
pérolas de chuva
dum país sem chuva
que nem água tem
Deixarei tesouros
depois de morrer
para todo te encher
de luzes e de ouro
Um reino farei
onde a murmurar
de sempre te amar
só tu serás rei
Não me vás deixar…

Não me vás deixar
inventar-te-ei
palavras que nem
se podem escutar
E falar-te-ei
de quem por amor
destrói o terror
de todas as leis
E a história de um rei
morto de pesar
por não me encontrar
também encontrei
Não me vás deixar…

Já mesmo se viu
do fundo de um mar
que nunca existiu
o fogo brotar
Acontece enfim
um campo queimado
dar trigo mais grado
que o melhor Abril
E ao cair da tarde
vão-se misturar
sob o céu que arde
tantas cores aos pares
Não me vás deixar…

Não me vás deixar
nada te direi
nem chorar já sei
Vou ali ficar
dali te verei
dançar e sorrir
E escutar-te-ei
a cantar e a rir
Até me sentir
sombra de uma sombra
que há na tua mão
sombra do teu cão
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar
Não me vás deixar

Poema de David Mourão Ferreira e música de Jacques Brel

http://youtu.be/tUb8pg-vpYU

A NOITE E A ROSA

Fiz da noite a rosa
As mãos do pecado
No tempo da rosa
Sorrindo a teu lado
Falei-te por mim
Ouviste por ti
E os ramos surgiram
Depois que te vi
As mulheres da noite
Rasgaram as luas
E eu e tu fugimos
Por todas as ruas
Olhaste o meu rosto
Marcado pela fama
E abriste o teu peito
No fogo e na chama
Pedaços de rosa
Beijaram a cama
Que dói por que dói
Quando o amor nos chama
Pedaços de rosa
Beijaram a cama

Fiz do nosso dia
Depois da partida
Um lago desfeito
Onde deixei a vida
Que a vida eras tu
Os campos da história
Abrindo esta rosa
Chamada memória
Falei com amigos
De ontem como hoje
Chamando o teu corpo
Que em meu corpo foge
E a mãe que eu já tive
Abriu-se no mar
Para que o meu amor
Se fosse deitar
E a rosa era a noite
E a noite era a o dia
Rasgando as palavras
Que ninguém sabia
E a rosa era a noite
E a noite era o dia

Poema de Vasco de Lima Couto.
Ignoro quem foi o compositor da música e, infelizmente, nem tenho a gravação nem consegui encontrar. Se alguém souber dizer-me agradeço desde já.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

NÃO É VERDADE


Cai, como antigamente, das estrelas
um frio que se espalha na cidade
Não é noite nem dia, é o tempo ardente
da memória das coisas sem idade

O que sonhei cabe nas tuas mãos
gastas a tecer melancolia
um país crescendo em liberdade
auréola de trigo e  de alegria.

Porém a morte passeia nos quartos
ronda as esquinas, entra nos navios
o seu olhar é verde, o seu vestido branco
cheiram a cinza os seus dedos frios

Entre um céu sem cor e montes de carvão
o ardor das estações cai apodrecido
os mastros e as casas escorrem sombra
só o sangue brilha endurecido

Não é verdade tanta loja de perfumes
não é verdade tanta rosa decepada
tanta ponte de fumo, tanta roupa escura
tanto relógio, tanta pomba assassinada

Não quero para mim tanto veneno
tanta madrugada erguida pelo gelo
nem olhos pintados onde morre o dia
nem beijos de lágrimas no meu cabelo

Amanhece, um galo risca o silêncio
desenhando o teu rosto nos telhados
Eu falo do jardim onde começa
um dia claro de amantes enlaçados

Não é verdade tanta loja de perfumes
não é verdade tanta rosa decepada
tanta ponte de fumo, tanta roupa escura
tanto relógio, tanta pomba assassinada
NÃO !

Poema de Eugénio de Andrade - Música de Fernando Guerra

http://youtu.be/m0dB5tqFkL0 

ESPECTÁCULO


Não será Alfama
Nem é o Castelo
Diferente da Bica
Não é Madragoa
Mas é espectáculo
Mas é Lisboa
Não é arraial
Nem marcha da rua
Não saiu de Alcântara
Nem é Mouraria
Mas é espectáculo
É fantasia

Não é Bairro Alto
Nem é fado antigo
Que ponha tristeza
Num beijo de amor
Mas é espectáculo
Música e cor
É mundo nocturno
É Paris, é Bruxelas
É Londres, Berlim
New York, Milão
É o espectáculo
É a canção

São as capelines
O rouge e o batôn
São plumas, egrettes
Champanhe e folia
Porque a canção
É fantasia
Luzes, luzes, luzes da ribalta
Cores e projectores
Orquestras e palcos
O ser ou não ser
Porque a canção
É mundo a viver

Varela Silva

domingo, 30 de outubro de 2011

SOL DE INVERNO


Sabe Deus que eu quis
Contigo ser feliz
Viver ao sol do teu olhar
Mais terno
Morto o teu desejo
Vivo o meu desejo
Primavera em flor
Ao sol de Inverno

Sonhos que sonhei
Onde estão ?
Horas que vivi
Quem as tem ?
De que serve ter coração
E não ter o amor de ninguém ?
Beijos que te dei
Onde estão ?
A quem foste dar
O que é meu ?
Vale mais não ter coração
Do que ter e não ter, como eu !

Eu em troca de nada
Dei tudo na vida
Bandeira vencida
Rasgada no chão
Sou a data esquecida
A coisa perdida
Que vai a leilão

Sonhos que sonhei
Onde estão
Horas que vivi
Quem as tem
De que serve ter coração
E não ter o amor de ninguém ?
Vivo de saudades, amor
A vida perdeu o fulgor
Como o sol de Inverno
Não tenho calor

Poema de Jerónimo Bragança - Música de Nobrega e Sousa

ADEUS (Palavras Gastas)

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio
gastámos os olhos com o sal das lágrimas
gastámos as mão à força de as apertarmos
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava, acreditava,
porque a teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos
no tempo em que o teu corpo era um aquário
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos
É pouco, mas é verdade
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras
quando agora digo: meu amor
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Já não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo
e já te disse : as palavras estão gastas !

Adeus …

Poema de Eugénio de Andrade - música de Fernando Guerra

sábado, 29 de outubro de 2011

À TUA ESPERA



Primeiro são os teus passos pela escada
a madeira a dizer-me que chegaste
Depois a porta a pouco e pouco aberta
e o silêncio que só prova que já entraste

Pela luz do teu cigarro eu adivinho
que caminho têm as roupas pelo chão
e tu pensas que eu ainda estou dormindo
e eu penso que aprendi já a lição

Então, pé ante pé, braço ante braço
deitas-te a meu lado quase a medo
e atrasas o relógio que há no quarto
para, se eu acordar, pensar ainda é cedo

E cedo sinto e sofro a tua mão
descendo pelo meu corpo devagar
Eu  penso que aprendi já a lição
e juro que não vou  nunca mais acordar

Pergunto-te a dormir – que horas são ?
Protesto, digo não mas, como sempre
acabo com os teus lábios no meu peito
e os teus dedos brincando, ardendo no meu ventre

E abro-te o meu corpo de mulher
Esqueço a dor, a mágoa, as amarguras.
Cá dentro nasce o sol, já é manhã
e o relógio do quarto ainda bate as duas

Primeiro são os teus passos pela escada …

Poema : Tó Zé Brito – Música : Pedro Brito

Comentário de Simone sobre esta cantiga, no Intimidades (2002) :
« esta só tem um bocadinho de malandrice »

http://youtu.be/JLIO2I3y_Qw


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Quando se fala de Simone ...


José Carlos Ary dos Santos
"E este seu nome de tantos nomes feito
"Vento e silêncio, força angústia e fome
"Amado ou odiado, perfeito ou imperfeito
"O seu nome é Mulher, é Simone !"



Agustina Bessa Luís
"Na voz de Simone as palavras reencontram a vibração e o volume, o contorno a sombra, o desgarrar ou a frescura, que sempre sonha dar-lhes quem ao papel as arremessa."

David Mourão Ferreira
"Simone não veio a este mundo para colher flores em jardins tranquilos e com estátuas, mas sim para acordar e animar de sangue essas mesmas estátuas, dando-lhes a respiração das noites quentes e os gestos de amor."

Francisco Mata
"...Simone reinaugurou a canção portuguesa. Introduziu-lhe modernidade, lucidez e dramatismo. A canção portuguesa era um cartaz de turismo a esfarelar-se num tapume. Simone reinaugurou-a. Estilhaçou-lhe a estrutura rígida ...invadiu-a de sensibilidade..."

Artur Portela Filho
"Ou somos apanhados no seu magnetismo e prestamos homenagem a essa mulher para quem a vida não teve meio termo, ou decididamente não gostamos dela. Uma coisa é certa
- Simone de Oliveira não passa despercebida."

Manuela Gonzaga
"O que sentiria Maugham ao ouvir Simone, que ainda não percorreu meio mundo e já fez da sua alma um Universo...?"

Jorge Ramos e Ramos
"Aquilo que Simone ontem nos trouxe tinha sabor a arte. A criação. A princípio do mundo. Atenção!"


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"De uma energia sem nome" Márcia Breia

Márcia Breia, outro grande nome do panorama artístico português, outra actriz que eu amo, outra Senhora do país do Eça ... numa carta a Simone escreveu o seguinte :

" Chegaste até mim, como tantos outros, com os pés no chão, a olhar para a frente e com o corpo como que empurrado pelo bafo quente duma energia sem nome.

"Depois, muitas desfolhadas depois, estávamos atrás das paredes de uma imaginação qualquer e rimo-nos, e choramos, e contaste e eu contei, e fomos cúmplices, quando surgiu este sentimento que me faz escrever para ti, recortar a admiração desta folha nossa que é a amizade.

"Mulher indefesa a quem chamam forte, não ficaste a olhar para os troféus merecidos com aquela ideia que a vida nos cansou. E cansou !

"Mas foi vida, foi linha torta, ou não, que se dividiu, em várias rugas, vários sons que são o teu fascínio e a nós nos enternecem ; e tenho a certeza que, qualquer que seja o sítio onde te ouça, estarão lá.

"Também o teu olhar, os teus gestos e a tua força. A tua BELEZA !

"Um enorme beijo da tua fã,

"Márcia Breia"

In "Um país chamado Simone" de Nuno Trinta de Sá


À leitura desta carta imaginei a Simone a disfarçar as lágrimas numa enorme gargalhada ... Gostei de saber que estas duas senhoras do meu país são amigas ♥
Márcia Breia é daquelas mulheres cujo talento é tanto e tão puro que não precisa disfarçar o passar do tempo no seu rosto e no seu corpo, já são poucas as actrizes deste calibre mas ainda restam algumas, felizmente !

A DISCOGRAFIA DE SIMONE

  •  Singles e EP

    Alvorada
  • O Burrinho /Agora /Eh Pá do Fado /Vocês Sabem Lá (EP, Alvorada, 1958)- mep60103
  • Amor à Portuguesa/Tu/Nos Teus Olhos Vejo o Céu/Tu e Só Tu (EP, Alvorada, 1959)- mep60136
  • Fiquei /Quero saber /Amor para dois /Anda aí uma cigana (EP, Alvorada) - mep 60181
  • A saudade vem depois /Não há razão / Terra formosa / A noite é bela (EP, Alvorada) - mep 60230
  • Despertar /Eu /Chegou a Primavera / Meu estranho amor (EP, Alvorada) - mep 60234
  • Sol poente /Foi você / Ariane / Primavera de 1960 - mep 60325
  • Tenho saudades / Fim de romance / Abandono / Tarde demais - mep 60408
  • A Saudade Vem Depois / Não Há Razão / Terra Formosa / A Noite É Bela (EP, Alvorada, 19*) - mep60230
  • Lado a Lado / Canção Das Sombras Perdidas / Desesperadamente / Corpo E Alma (EP, Alvorada) aep60475
  • Vocês sabem lá /Amor para dois /Oração para dois /Lado a lado (Alvorada) EP-85-11
  • Fim de Estação (1961)
Decca
  • Novo Fado da Severa / Deixa Lá / Maria Solidão / Olhos Nos Olhos (EP, Decca, 1964) - 1070
  • (EP, Decca, 196*) Se Tens Coração/As Três Lágrimas/Labirinto/Doce Amargura - 1078
  • (EP, Decca, 196*) Canção Cigana / Sempre Tu Amor / Quero e Não Quero / Alguém Que Teve Coração - 1084
  • Sol de Inverno (EP, Decca, 1965) - Sol de Inverno / De Degrau em Degrau / Silhuetas ao Luar / A Rua do Desencontro - 1088
  • Canções de My Fair Lady (EP, Decca, 196*) A Rua Onde Mora Meu Bem / Eu Dançaria Assim / O Rei De Roma / Um Bocadinho Só Bem [António Calvário e Simone] - 1095
  • IV Festival da Canção Portuguesa (EP, Decca, 196*) - Nem Tu Nem Vocês / Se Tu Queres Saber Quem Sou / Quando Será / Canção do Outono - 1110
  • Praia de Outono (EP, Decca, 196*) - Canção Sem Importância / Reste / Meu Único Amor / Praia de Outono - 1121
  • De Saudade Em Saudade (EP, Decca,1965) De Saudade em Saudade/De Mão Dada/Sensatez/Não Fiques Sem Alma -1130
  • Música No Coração (EP, Decca, 1965) - Música No Coração / A Noite do Adeus / Tu És Aquele / Onde Vais - 1131
  • Estranhos Na Noite (EP, Decca, 1965?) - Estranhos Na Noite / As Coisas De Que Eu Gosto / Dó-ré-mi / Dias de Felicidade - 1169
  • Começar de Novo (EP, Decca, 1966) - Começar de Novo / Sem Amor / Já Ouviste O Mar? / O Céu É Bom P´ra Mim - 1184
  • A Banda (EP, Decca, 1966) - A Banda / Um Só Dia / Dia Das Rosas / Vem A Meus Braços - 1185
  • Marionette (EP, Decca, 1967) - Marionette / Esta Lisboa Que Eu Amo / És A Minha Canção / Balada Da Traição Do Mar - 1204
  • Marchas do Estoril (Ep, Decca, 1967) Marcha do estoril 1967/Marcha do estoril 1965/Santo António do Estoril/Marcha da Costa do Sol 1966 - 1206
  • A Voz E Os Êxitos (EP, Decca, 1967) - Yesterday/
  • A Voz E Os Êxitos (EP, London, 1968) edição Brasileira
  • Tu Só Tu (EP, Decca) - Tu Só Tu (S+P)/ Gatinha / Nem Sol Nem Lua / Anouschka (MP) - 1211 [Simone & Marco Paulo]
  • Chorar E Cantar (EP, Decca)Renascendo/Canto de Partir/Chorar e Cantar/Tema para Sonata - 1212
  • Doutor Doolitle (EP, Decca) Falar Com Os Animais/Algo Em Teu Sorriso/Encruzinhada/Quando Vejo Em Teus Olhos - 1225
  • Grande Prémio TV (EP, Decca, 1968) Canção Ao Meu Piano Velho / Vento / Não Vou Contigo / O Calendário / Dentro de Outro Mundo - 1229
  • (EP, Decca, 196*) Viva O Amor / Nos Meus Braços Outra Vez / Quando Me Enamoro / Para Cada Um Sua Canção - 1250
  • (EP, Decca, 196*) Cantiga de Amor / Amanhã Serás O Sol / Não Te Peço Palavras - 1251
  • (EP, Decca, 196*) Aqueles Dias Felizes / Pingos de Chuva / Fúria de Viver - 1270
  • Desfolhada Portuguesa (Decca, 1969) Desfolhada Portuguesa / Cinco Quadras Cinco Pedras / Avé Maria do Povo - 1276
  • Glória, Glória Aleluia (EP, Decca, 1972) Glória, Glória Aleluia/Hino do Amor/Retrospectiva
  • Pingos de Chuva/Fúria de Viver (Single) SPN 142
  • Apenas O Meu Povo / Introito (Single, Decca, 1973) SPN 143
  • Mulher Presente (Single, Decca, 1975) SPN 191 G [O Trabalho/Mulher Presente/É Tarde Meu Amor]
Alvorada/Rádio Triunfo
  • Não É Verdade/Maria Saudade (Single, Alvorada,) NS-97140
  • Sempre Que Tu Vens Primavera / Mesa Sem Ninguém Cama Com Tão Pouco (Single, Alvorada, 1979)NS-97148
  • Sete Letras / Tango Ribeirinho (Single, Rádio Triunfo, 1980)
  • Amor Sem Depois / Cansaço da Mesma Viagem (Single, Alvorada, 1980) AlV-97-154
Polygram
  • À Tua Espera/Te Espero (Single, Polygram, 1980) Philips 6031174
Alvorada/Rádio Triunfo
  • Eu Quero e Não Quero/Salva de Palmas (Single, Rádio Triunfo, 1983) RT 51-60
  • Sempre Que Lisboa Canta (EP, Alvorada) Mep 60135
  • Nasci Contra O Vento (EP, Alvorada) Mep 60284
  • 1º Concurso da Canção: Figueira - Simone - Alvorada
  • (EP, Alvorada, 1959) - MEP 60135 - Sempre Que Lisboa Canta - Simone
  • III Festival da Canção - (1961) Ontem e Hoje / Dilema / Bom Dia Lisboa / Porque Voltei—Simone, Madalena Iglésias, Alice Amaro, José Manuel Mendes - Alvorada aep60429
  • III Festival da Canção - (1961) Oração Para Dois - Alvorada aep60430
  •  

Álbuns

  • Recordando (LP, VC, 1975)
  • Simone (LP, Alvorada, 1978)
  • Antologia da Música Portuguesa (LP, EMI, 1981)
  • Ao Vivo No Hotel Altis (LP, Alvorada, 1981)
  • Simone (LP, Polygram, 1981)
  • Simone, Mulher, Guitarra (LP, Polygram, 1984)
  • O Melhor de Simone (LP, EMI)
  • Algumas Canções do Meu Caminho (2CD, BMG, 1992)
  • Simone Me Confesso (2CD, 1997)
  • Intimidades (CD, Vidisco, 2004)
  • Perfil (2CD, iPlay/VC, 2008)

DVD Musicais

  • Intimidades (DVD, Vidisco, 2004)

SIMONE & O CINEMA

Simone de Oliveira participou em pelo menos seis filmes, mas num só como voz:
  • Canção da saudade (1964)
  • Operação diamante (1967)
  • Cântico final (1976)
  • A estrangeira (1983)
  • Capuchinho Vermelho - A verdadeira História (2006) (Voz da avó)
  • Julgamento (2007) – Esposa Mendes Oliveira

terça-feira, 25 de outubro de 2011

SIMONE & A TV

Simone de Oliveira tem participação em várias telenovelas e em séries televisivas, nomeadamente nas seguintes:
  • Roseira brava 1995 (RTP1) - Amélia Falcão
  • Vidas de sal 1996 (RTP1) - Madalena Fragoso
  • Filhos do Vento 1997 (RTP1) - Paula Vieira
  • Senhora das águas 2001 (RTP1) - Maria dos Prazeres Videira dos Santos
  • Morangos com Açúcar 2006 (TVI) - Maria Antónia Mergulhão
  • Vila Faia 2008 (RTP1) - Ifigénia Marques Vila
  • Liberdade 21 – 2009 –Albertina
  • Remédio Santo 2011 (TVI) – Graça Monforte
Na televisão apresentou nos anos oitenta do século XX o programa Piano Bar e fez vários programas da RTP Internacional. Foi ainda membro do júri da 1ª edição do concurso Chuva de Estrelas da SIC. Participa em 2009 no programa Fátima como comentadora e na SIC ao vivo como entrevistadora. Neste ano de 2011 participa na sitcom da RTP "A Sagrada Família" onde é Maria Ignácia.
E ainda :
1964 – Os Três Saloios
1979 – O Espelho dos Acácios
1982 – Gente Fina é Outra Coisa
1988 – Histórias que o Diabo Gosta
1988 – Toma Lá Revista
1988 – Passerelle – Madame Solange
1989 – A Menina Alice e o Inspector
1990 – Nem o Pai Morre nem a Gente Almoça
1992 – Grande Noite
1994 / 1995 - Maldita Cocaina – Berta
1994 / 1995 – Cabaret
1999 – Docas 2
2000 – Conde de Abranhos – Mrs. Gama Torres
2000 / 2001 – Querido Professor
2005 – Segredo – Dona Elisa
2006 / 2007 – Tu e Eu – Raquel Silva Reis
2007 - A Escritora Italiana  – Arminda Badalo
2010 – Temporária – A Actriz
2011 – Velhos Amigos


 Foto 1 - A D. Graça Monforte de "Remédio Santo"
Foto 2 - A Maria dos Prazeres de "Senhora das Águas"

SIMONE ACTRIZ

Eis um resumo da carreira de Simone de Oliveira a nível do teatro, Simone estreou-se nos anos 60 ainda como atracção de revista, posteriormente no inicio dos anos 70 deu início, na peça "O Contrato" (dirigida por Ribeirinho), ao desenvolvimento das suas características de actriz, tendo na peça A Tragédia da Rua das Flores, atingido um enorme sucesso de público e de crítica, revelando as suas potencialidades de actriz dramática.
Participou no Teatro Nacional D. Maria II na peça "Passa por mim no Rossio" e no Teatro Politeama em Maldita Cocaína. Já nos primeiros anos do século XXI encarnou as personagens de Marlene Dietrich e Alma Mahler-Werfel (2003, Convento dos Inglesinhos, Lisboa).
Posteriormente, fez uma digressão com o seu espectáculo "Conversas de Camarim", espectáculo de homenagem a poetas e a gente do teatro na companhia de Vítor de Sousa e Nuno Feist.
Em 2010 esteve em palco no Teatro Nacional D. Maria II com a peça “Jardim Suspenso”, de 29 de Abril a 30 de Maio. Seguiu depois para o Brasil onde a peça esteve em palco algumas semanas, com Simone de Oliveira, Carla Chambel, Carlos Oliveira, Carmén Santos, Luciana Ribeiro e Manuel Coelho.
Em homenagem às cantoras da década de 1960 (Madalena Iglésias e Simone de Oliveira), a sua personalidade foi retratada na peça musical What happened to Madalena Iglésias" de Filipe La Féria.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Simone de Oliveira recebe Globo de Ouro de Mérito e Excelência


A 30 de Maio de 2011, a cantora e actriz portuguesa Simone de Oliveira foi premiada com o Globo de Ouro de Mérito e Excelência, na 16ª edição da gala dos Globos de Ouro, promovida pela SIC e pela Caras.

«Chegar aqui foi porque a vida me deixou. Agradeço aos poetas, músicos, iluminadores, ao meu querido Parque Mayer e a todas as pessoas que me deixaram chegar aqui. A todos os velhos artistas com quem trabalhei e aos mais novos com quem tenho trabalhado. Com todos aprendi. O meu obrigado e até sempre», disse a artista, emocionada.

Parabéns Simone, Simone de Portugal ! 

Clique em baixo para ver :
Entrega do prémio

ADEUS, NÃO AFASTES OS TEUS OLHOS DOS MEUS


Meu amor na vida, sem vida eu fico aqui
Desde que à partida, meu Zé, fiquei sem ti
Bem peço aos retratos : socorro
São mudos, ingratos, vem tu senão morro

Nem mesmo a saudade me traz consolação
Quero uma verdade não quero uma ilusão
Na alma ainda me dói, meiga a tua voz
Quando o barco foi tão mau p’ra nós

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Até quando ao longe a bruma a pairar
Se consuma entre as ondas do mar
E os céus
Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Dá-lhes carinhos que partem ceguinhos
de amor pelos teus

Sei que tu existes e sei também meu Zé
Que há palavras tristes e que uma delas é
A que me tortura, a distância
Nem sei se há mais dura na minha ignorância

Há palavras belas mas quase as esqueci
São, noivado, estrelas, altar e outras pra aí
Quando as ouvirei todas, oh Jesus ?
Hoje apenas sei estas sem luz

Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Até quando ao longe a bruma a pairar
Se consuma entre as ondas do mar
E os céus
Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Dá-lhes carinhos que partem ceguinhos
de amor pelos teus

Adeus, quem sabe alma querida
Adeus, se é por todfa a vida ?
Adeus, não afastes os teus olhos dos meus
Dá-lhes carinhos, que partem ceguinhos
de amor pelos teus

Poema de José Galhardo - Música  de Raul Ferrão



http://youtu.be/c6A1HN7ldEw